Ecoinovação: No Caminho da Circularidade

Atualizado: Mar 2

É inegável: a mudança passou a ser uma constante nas nossas vidas e um processo de extrema relevância para garantir o sucesso pessoal e profissional. Esta realidade tem implicações em todas as dimensões das nossas sociedades, nomeadamente nas pessoas e nas organizações.


De modo a acompanhar a mudança que nos rodeia, a capacidade de adaptação e inovação tornaram-se de extrema importância para sobrevivência e evolução das organizações. Nos dias que correm a capacidade de inovar tornou-se num fator de diferenciação e muitas das vezes confere as entidades a capacidade de se manterem competitivas e relevantes. Porém inovar por si só não basta para assegurar o sucesso das organizações: é necessário inovar de acordo as novas necessidades das sociedades e de modo a dar resposta aos desafios que as mudanças vão trazendo consigo.


A procura por inovações que contribuam para um desenvolvimento sustentável nas suas três dimensões (ambientalmente sustentável, socialmente equitativo e financeiramente eficaz) é cada vez mais uma prioridade para as organizações, até porque muita das vezes se traduz numa vantagem competitiva para as mesmas. De acordo um estudo realizado pela consultora Deloitte, a uma das principais tendências para os próximos 5 anos é o aumento da procura por soluções de marcas ativamente comprometidas com o desenvolvimento de soluções saudáveis quer para consumidor quer para o planeta e com impacto social e ambiental positivo. Esta realidade tem como consequência uma elevada pressão sobre as organizações para desenvolverem estratégias e inovações que se alinhem com esta realidade (1). Alinhado com estas previsões, um estudo desenvolvido pela Nielsen indica que “73% dos consumidores indicaram que vão definitivamente mudar os seus hábitos de consumo para reduzir os seus impactos ambientais” (2).


Existe um consenso entre especialistas, governos e consumidores (3) que um dos passos mais importantes de modo a dar resposta a estes desafios passa pela transição para modelo da Economia Circular. No entanto, a transição para este modelo implica alguns desafios, entre eles a adequação do modelo de negócios e da cadeia de valor a especificidades e objetivos deste modelo.


É aqui que entra a Ecoinovação: um processo sistematizado que como o nome indica alia a inovação à ecologia. A aplicação deste processo implica uma profunda análise da estratégia, modelo de negócio, processos e atividades, para identificar eventuais impactos ambientais negativos que sejam gerados ao longo da cadeia, de modo a transformar estas fraquezas ou ameaças, em forças ou oportunidades de inovação, que dão resposta aos problemas identificados. Estas inovações que tem como o objetivo central tornar a empresa sustentável e circular em todas as suas dimensões, podendo levar a melhorias ao nível da estratégia, modelo de negócio, produtos, serviços, processos e da relação com os stakeholders (4).


De modo a identificar as potenciais oportunidades de ecoinovação ao longo da cadeia produtiva, é aplicada a abordagem do ciclo de vida do produto ou serviço. Nesta abordagem é considerada toda a vida do produto ou serviço, e não apenas a fase de utilização, sendo analisadas as atividades envolvidas, matérias-primas e recursos necessários, externalidades negativas (ex: emissões, resíduos, impactos na saúde dos consumidores/colaboradores/comunidade, etc.) e impactos económicos (5).


Este processo pode igualmente ser aplicado de modo a desenvolver novos projetos empreendedores, através da análise da indústria ou sector onde se pretende atuar, de modo a identificar os principais desafios ou impactos negativos do ponto vista ambiental e as respetivas ecoinovações que se possam traduzir em soluções viáveis do ponto vista social, ambiental, económico e financeiro (5).


O desenvolvimento de um projeto de ecoinovação implica várias fases, das quais destacamos (6):


Vantagens da Ecoinovação (Fonte: SEBRAE e ONU, 2017)

  1. Definição do âmbito do projeto e os sistemas a analisar, com base nos recursos e informações disponíveis;

  2. Analise do ciclo de vida do produto ou serviço, considerando todas as fases da extração das matérias-primas, até ao descarte (“from cradle to grave – do berço ao túmulo”);

  3. Identificação de oportunidades de melhoria através de processos como o design thinking, benchmarking, parcerias e/ou investigação;

  4. Análise da viabilidade das oportunidades e definição dos indicadores de avaliação de sucesso;

  5. Revisão da estratégia e modelo de negócio de modo a adequa-la as ecoinovações desenvolvidas, potenciando os seus resultados;

  6. Realização de avaliações periódicas dos resultados conseguidos e comunicar ao longo de todo o projeto com as partes interessadas (colaboradores, investidores, fornecedores, parceiros, clientes, comunidade, etc.);


A implementação da eco-inovação nas empresas trás diversas vantagens, pois permite uma crescente eficiência e eficácia dos processos, uma redução dos custos e novas fontes de rendimento. Adicionalmente a empresa reforça o seu compromisso com a sustentabilidade, o que aumenta a confiança e identificação dos clientes com a marca e uma maior motivação e engagement dos stakeholders. Para uma visão holística torna-se uma mais-valia incluir as várias partes envolvidas no processo, como colaboradores, fornecedores, parceiros e clientes (4).


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Autora: Mariana Pinto e Costa (Co-fundadora BeeCircular)

Contacte-nos: beecircular.geral@gmail.com

Fontes:

(1) Deloitte, Consumer Product Trends: Navigating 2020, 2015

(2) Nielsen, The Evolution of the Sustainability Mindset, 2018

(3) Ellen MacArthur Foundation and McKinsey Center for Business and Environment, Growth within: A circular economy vision for a competitive Europe, 2015.

(4) United Nations Environment Programme, The Business Case for Eco-innovation, 2014

(5) SEBRAE e ONU Meio Ambiente, Eco-inovação nos pequenos negócios, 2017

(6) OCDE, The Future of Eco-Innovation: The Role of Business Models in Green Transformation, 2012;

917 498 814 316

91809814

3.191.451.678.109.849

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