Simplificando: O que é a Economia Circular?

Atualizado: Mar 2


A Economia Circular tem como ambição tornar o “lixo” um conceito do passado, propondo para o efeito a procura de soluções que mantenham os recursos a circular na economia, perpetuando a sua utilização até ao limite da sua capacidade. Recorrendo a adoção de modelos de negócio inovadores, à eco-inovação e ao eco-design, num modelo da Economia Circular os produtos são pensados de modo a potenciar a sua utilidade e tempo de vida útil, devendo para o efeito apresentar características como a durabilidade e fácil reparabilidade e valorizar modelos de negócio que promovem a utilização partilhada, a venda de produtos usados e/ou a produção a partir de matérias-primas reaproveitadas como é caso do upcycling, restauro ou refabricação.

A natureza foi, é e continuará a ser uma das principais inspirações para as criações humanas, algumas destas verdadeiramente revolucionárias. A Economia Circular é modelo holístico “resiliente e restaurador por intenção”, onde à semelhança do que acontece na natureza, “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” (Lei de Lavoisier)”. Neste modelo, não existem resíduos ou lixo: existem sim recursos valiosos (ou nutrientes como são chamados neste modelo), e como tal, a sua vida útil deve ser potenciada, estendendo ao máximo o período em que estes geram valor para as sociedades (1).


Numa lógica Circular, através do Eco-design e da Eco-Inovação, os produtos são idealizados de modo a serem duradouros e facilmente desmontáveis, para uma mais fácil e económica reparação, modernização ou aproveitamento dos componentes para novos fins, sendo desta forma injetados na economia de forma continua e cíclica. É incentivado o uso de energias renováveis e a eliminação de componentes tóxicos, que para além de prejudiciais a vários níveis, limitam o potencial de reutilização dos materiais Desta forma consegue-se reduzir de forma sistemática e continua dependência das matérias-primas extraídas da natureza, o desperdício de recursos com valor económico, a produção de resíduos e a geração de externalidades negativas (2).


De modo a potenciar a transição para o modelo circular, devem ainda ser favorecidos modelos de negócio otimizem a utilização dos recursos e onde as caraterísticas como qualidade, design modelar, durabilidade, fácil reparação, adaptabilidade e circularidade são uma vantagem competitiva sendo exemplos os modelos do “Produto enquanto Serviço”, “Economia de Partilha” e a “Venda de Usados”. (3)

"A Economia Circular propõe através do Eco-design e da Eco-inovação uma postura “resiliente e regenerativa (1)”.


No processo de transição para a Economia Circular existem alguns pressupostos que devem ser tidos em linha de conta, dos quais sublinhamos:


ECONOMIA CIRCULAR – PRESSUPOSTOS E PONTOS-CHAVE (1)

1) Não ao lixo (Design out waste) – Como referido, neste modelo o lixo torna-se crescentemente um conceito obsoleto. Os produtos são pensados de modo a serem de elevada qualidade, durabilidade e de fácil desmontagem, assegurando desta forma uma fácil e económica reparação, modernização ou até o aproveitamento dos seus componentes para novos fins e indústrias.


2) Distinção entre “consumíveis e componentes duradouros” – Como se pode verificar no diagrama de borboleta na imagem em cima, são introduzidos estes dois novos conceitos que visam distinguir: os produtos consumíveis ou nutrientes biológicos que sendo constituídos por organismos vivos, são biodegradáveis e por conseguinte podem ser restituídos de forma segura à biosfera ou utilizados num sistema de cascata, para múltiplos fins (ex.: papel, madeira, material de construção, têxteis, etc.); e os componentes duradouros ou nutrientes técnicos como o plástico e metal, que podem ser reutilizados até ao máximo da sua capacidade. A divisão entre ciclos biológicos e técnicos, tem como objetivo assegurar que cada material é mantido no ciclo adequado. Quanto mais próximo o processo de restituição do produto estiver do consumidor, mais a integridade das matérias é garantida e menor é o custo do processo (exemplo: reparação vs. reciclagem). A escolha de um determinado nutriente, deve ter em conta a durabilidade que o mesmo terá, enquanto produto final. No caso de por exemplo de uma embalagem, que pode ter uma utilização muito reduzida, os nutrientes técnicos tornam-se desadequados, sendo mais seguro a utilização de componentes biológicos.


3) Fontes de energia verde – De modo a agregar valor para o sistema circular, as fontes de energia utilizadas nos vários processos devem ser crescentemente de fontes renováveis, permitindo assim a redução da dependência dos combustíveis fósseis e o impacto para o ambiente e saúde pública.

A adoção de uma estratégia circular promove inúmeras vantagens para todas as partes envolvidas, em particular para as organizações que a implementam, possibilitando poupanças significativas e abrindo portas para novos modelos de negócios, e consequentemente novas fontes de rendimento. Como a adoção deste modelo procura-se gerar valor para todas as partes envolvidas, ou invés de se criar valor apenas para uma parte do sistema. Assim cada vez mais as organizações devem procurar fazer bem ou invés de fazerem menos mal (eficácia vs. eficiência), começando assim a criar verdadeiro valor para as sociedades e economia. (2)


Na União Europeia esta transição já se encontra em curso, sendo expectável elevados benefícios do ponto vista económico, social e ambiental. Estudos indicam que a transição para o modelo da Economia Circular aliada a revolução tecnológica poderá gerar até 2030 um valor adicional superior a 1.8 € biliões de euros para a economia Europeia e uma redução de cerca de 48% nas emissões de CO2 (4).


Gostaria de saber mais sobre os modelos de negócio que potenciam a transição para a Economia Circular? Junte-se a comunidade BeeCircular e receba gratuitamente o nosso ebook.



________________

Autora: Mariana Pinto e Costa (Co-fundadora BeeCircular)

Contacte-nos: beecircular.geral@gmail.com

Fontes:

(1) Ellen MacArthur Foundation, Towards The Circular Economy: Economic and business rationale for accelerated transition, EMF, London, 2013

(2) European Environment Agency, Circular by design: Products in the circular economy, EEA, Luxembourg, 2017

(3) Ellen MacArthur Foundation, Towards The Circular Economy: Accelerating the scale-up across global supply chains, EMF, London, 2014

(4) Ellen MacArthur Foundation and McKinsey Center for Business and Environment, 2015, Growth within: A circular economy vision for a competitive Europe, EMF and McKinsey Center for Business and Environment, Isle of Wight.

917 498 814 316

91809814

3.191.451.678.109.849

71941871

914 819 87

419 818719 914481

8888

Newsletter

Incubadora Startup Alentejo - Av. 25 de Abril,

7080-134 Vendas Novas, Portugal

Tel: (+351) 963 983 893

Email: beecircular.geral@gmail.com

©2019 by BeeCircular 

  • Branco Facebook Ícone
  • Branca Ícone Instagram
  • Branca ícone do YouTube