As ODS's da Agenda 2030 da ONU: Origem, Conceitos e Objetivos


Habitualmente, nos workshops e formações que facilitamos, um dos primeiros pontos que costumamos abordar são os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a sua relação com a Transformação Circular e como estes podem ser um motar propulsor para a criatividade e inovação. Através desta experiência, compreendemos que várias pessoas ainda não conhecem este tema a fundo. Por essa razão, neste artigo vamos falar sobre “Desenvolvimento Sustentável”, os “3 Pilares da Sustentabilidade” e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, um compromisso mundial em assinado por mais de 190 países.

Imagem 1 – Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - Fonte: Nações Unidas

Desenvolvimento Sustentável: Origem e conceito


O despertar para a degradação dos sistemas naturais e a sua estreita relação com a atividade humana, começou a ganhar tração um pouco depois do final da 2ª Guerra Mundial. No entanto, o evento que marcou definitivamente a entrada desta temática para as agendas mundiais foi a primeira conferência das Nações Unidas focada em debater os desafios ambientais, que aconteceu em 1972. A Conferencia das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, também conhecida como a Conferência de Estocolmo dada à sua localização, teve como resultado a criação do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), um programa ainda em atividade e que se foca na proteção e conservação ambiental.


No seguimento desta conferência, em 1983 Gro Harlem Brundtland, na altura Primeira-Ministra da Noruega e anteriormente Ministra do Ambiente, foi convidada a presidir a equipa responsável por desenvolver o relatório que servisse de base à estruturação de uma agenda global, centrada na cooperação eficaz entre os países, que culminasse na evolução e mudança positiva das nações, para a construção de um mundo mais justo, equilibrado e com melhores condições para todos. Em 1987 foi publicado o relatório “O nosso futuro comum”, também conhecido como Relatório de Brundtland, onde foi apresentado o conceito de “desenvolvimento sustentável” mais utilizado até aos dias de hoje:


“Um modelo de desenvolvimento que dá responda às necessidades do presente, sem comprometer a capacidade de as gerações futuras darem resposta às suas próprias necessidades."

O desenvolvimento sustentável é um conceito que difere do crescimento, pois este último nem sempre é positivo em todas as suas dimensões. Até recentemente, um dos principais indicadores utilizados para avaliar o desenvolvimento de um país, era a variação do seu Produto Interno Bruto (PIB). Contudo, o crescimento do PIB nem sempre se pode associar ao desenvolvimento sustentável do país.

Imagem 2 – Conceito de Desenvolvimento Sustentável - Fonte: Nações Unidas

Vejamos o caso do Gana e das lixeiras eletrónicas: a altura em que o Gana começou a receber o lixo eletrónico de outros países, coincidiu com um período de crescimento económico e do seu PIB. Porém, apesar do o facto deste país ter recebido o lixo eletrónico ter permitido um aumento na capacidade de criação de emprego e das trocas comerciais, este crescimento teve como consequências o aumento drástico da poluição, a degradação da saúde dos seus habitantes e o aumento da exploração infantil.


Para que se possa promover o desenvolvimento sustentável torna-se essencial ter uma visão holística e sistémica, para que várias dimensões e as suas relações sejam consideradas. Assim, o desenvolvimento sustentável implica procurar formas de assegurar a evolução do bem-estar das populações, de forma cada vez mais justa, equilibrada e saudável e através de sistemas que respeitem e não coloquem em causa os limites do planeta, dos sistemas naturais e a sobrevivência e bem-estar dos restantes seres vivos.



Os 3 Pilares da Sustentabilidade


Outra questão que também é fortemente sublinhada no Relatório de Brundtland, é a estreita relação existente entre o “Meio Ambiente” e o “Desenvolvimento”, considerando-os “inseparáveis”. Neste relatório é evidenciada a interdependência entre as questões de caracter social, económico e ambiental, apresentando vários exemplos de como estas se interligam e influenciam. À semelhança do que aconteceu com o caso do “tráfico do lixo”, as desigualdades sociais e a procura pela sobrevivência, levam muitas vezes ao desenvolvimento e aceitação de atividades económicas, com consequências nefastas ao nível ambiental e social. Por outro lado, a procura de soluções ambientalmente sustentáveis, pode potenciar inovações favoráveis do ponto vista económico e social e os períodos de crescimento económico “abrem espaço” para uma maior concentração no sentido de desenvolver soluções para os desafios sociais e ambientais. Contudo, e apesar do conceito de sustentabilidade estar intrinsecamente associado a estas três dimensões (social, ambiental e económica), este termo foi utilizado com alguma frequência, em particular entre o final do seculo XX e o início do seculo XXI, para sublinhar questões unicamente focadas na perspetiva ambiental ou económica.


Em 2010, a Declaração de Joanesburgo realizada no seguimento da Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas veio novamente reforçar estes 3 pilares da sustentabilidade, que já tinham ficado subjacentes desde 1992, na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Eco 92), realizada no Rio de Janeiro.

Neste sentido o desenvolvimento sustentável deve ser:


  • Socialmente equitativo: O desenvolvimento sustentável deverá promover igualdade de direitos e oportunidades para todos, que conduza um maior equilíbrio e justiça na distribuição da riqueza e o acesso aos recursos e serviços essenciais para uma vida digna, como a educação, saúde, alimentação e habitação, em alinhamento com os Direitos Humanos. No sentido de promover uma maior equidade, deverão existir medidas focadas nos públicos mais desfavorecidos, que capacitem e criem condições para que os mesmos possam prosperar, possibilitando que estes se tornem crescentemente independentes e forças positivas e participativas na evolução das sociedades.


  • Ambientalmente responsável: Só poderemos estar perante um “desenvolvimento sustentável”, quando as sociedades conseguirem prosperar em conjunto com a natureza e não à conta da mesma. Para isso devemos desenvolver novas formas de atuação que respeitem os limites do nosso planeta e que não impliquem a degradação dos sistemas naturais e a redução da biodiversidade. Sendo nós parte integrante dos sistemas naturais, a sua degradação implica a nossa degradação, logo de modo a assegurarmos a nossa continuidade, devemos quebrar a postura destrutiva assumida nas últimas décadas, procurando novos caminhos que nos permitam “fazer bem” ao invés de nos contentarmos em “fazer menos mal”.


  • Economicamente eficaz: Como já foi possível observar ao longo da história, momentos de crise levam a colocação das questões ambientais e sociais para segundo plano, pois são consideradas erradamente como “questões menos urgentes”. A jornada para o desenvolvimento sustável, implica a capacidade de investir em medidas que nos permitam chegar a estes objetivos, pelo que a capacidade de ser economicamente eficaz torna-se determinante. Através do investimento inteligente, possibilitado pela capacidade de ser-se economicamente eficaz, poderão criar-se novas formas de atuar que gerem valor para todo o sistema, ao invés de criam valor apenas por lado, enquanto destroem pelo outro.

Imagem 4 – Tríade da Sustentabilidade - Imagem de Mariana Costa – Fonte: Nações Unidas

A Agenda 2030 e os ODS


De acordo o referido, no seguimento do objetivo de desenvolver uma agenda global comprometida com desenvolvimento sustentável, que ficou conhecida como a agenda 21, no ano de 2000 foram lançados os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) das Nações Unidas. Os ODM estiveram em curso até 2015 e eram compostos por um conjunto de 8 objetivos, focados no combate à pobreza extrema, a desigualdade social e na sustentabilidade ambiental. Apesar da componente ambiental estar incluída nos ODM, existia apenas um objetivo exclusivamente centrado nesta componente (ODM 7 - Garantir a sustentabilidade ambiental), sendo 6 dos objetivos focados na equidade social (1 – Acabar com a fome e a miséria ; 2 – Atingir o ensino básico universal; 3 - Promover a igualdade de gênero e a valorização da mulher; 4 - Reduzir a mortalidade infantil; 5 - Melhorar a saúde materna; 6 - Combater a SIDA, a malária e outras doenças;) e o 8 no desenvolvimento de parcerias mundiais.


Apesar de nem todos os objetivos terem sido alcançados até 2015, os ODM contribuíram para uma melhoria substancial ao nível social, em particular nos países em desenvolvimento e em questões como o acesso à educação, à água potável e na redução da pobreza extrema.


Em 2015 a Agenda 2030 da ONU, que representa a visão, as ambições e a estratégia, que as nações participantes pretendem criar e desenvolver até 2030, trouxe consigo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável mais conhecidos pelos ODS’s. Os ODS’s da Agenda 2030 são formados por um conjunto de 17 objetivos (ver imagem 1), 169 metas e 230 indicadores, tendo estes sido assinados por mais 190 países. O alcance destes objetivos implica um conjunto de medidas que inclui toda a sociedade civil, envolvendo decisores políticos, empresas, organizações de interesse público e os cidadãos.


Portugal, decidiu comprometer-se com 5 dos objetivos, nomeadamente ODS 4 – Educação de Qualidade; ODS 5 - Igualdade de género ODS 9 – Indústria, Inovação e Infraestruturas; ODS 13 – Ação Climática; e ODS 14 – Proteger a vida marinha.


Todos os anos em Portugal e por todo o mundo, existem inúmeras iniciativas que se encontram alinhadas com estes objetivos, onde se incluem conferências, workshops, eventos de networking, oportunidades de financiamento, entre outros. Várias empresas comprometeram voluntariamente em contribuir para o alcance destes objetivos e através do site oficial dos ODS é possível consultar a evolução destes compromissos, entre outras informações úteis como recursos, notícias, iniciativas, etc.. Comparativamente aos ODM, os ODS’s espelham uma visão bastante mais holística, completa e enquadrada no conceito de desenvolvimento sustentável.


Vídeo 1: Nações Unidas (2015), O que é o desenvolvimento sustentável


Alinhamento da Estratégia Empresarial com os ODS


Como mencionado, várias organizações por todo mundo têm alinhado as suas estratégias com estes objetivos, utilizando-os como linha orientadora e fonte de inspiração para novas soluções, iniciativas e inovações. Este alinhamento “abre portas” para novas sinergias que reforçam a capacidade de contribuir ativamente para o alcance destes objetivos e à procura de novas formas de atuação, que para além de contribuírem para uma maior competitividade, integrem os 3 pilares da sustentabilidade, reforçado o impacto positivo das mesmas.


As empresas que procuram ter os ODS como motor de inovação, devem:


  1. Compreender em maior detalhe cada um dos objetivos, conhecendo os desafios associados, as metas e os projetos que atualmente já estão em curso;

  2. Identificar quais dos objetivos que mais se identificam com a visão estratégica da organização;

  3. Analisar a estratégia e modelo de negócio da organização e a identificar se a mesma necessita de ser revista, de modo a promover o desenvolvimento sustentável da mesma;

  4. Estruturar potenciais projetos ou iniciativas que promovam a evolução da empresa e que tenham um impacto positivo nos objetivos;

  5. Estruturar o plano de ação, com as respetivas atividades, objetivos, indicadores de resultado a avaliar, parcerias, orçamento e cronograma;

  6. Desenvolver um plano de comunicação interno e externo que envolva os colaboradores da empresa e que permitam que os stakeholders acompanhem os desenvolvimentos e vitórias do projeto;

  7. E avaliar os resultados, de modo a analisar se os objetivos estão a ser alcançados e realizar ajustes se necessário.

Gostaria de alinhar a estratégia da sua empresa com as Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e levar a sua organização para o próximo nível? Na BeeCircular dinamizamos workshops criativos para desenvolvimento de novos projetos de inovação, que alinhem os objetivos da empresa com os ODS's. Fale connosco e saiba o que poderemos fazer por si!


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Autora: Mariana Pinto e Costa (Co-fundadora BeeCircular)

Contacte-nos: beecircular.geral@gmail.com



Fontes:

Agenda 2030 | ONU News https://news.un.org/pt/tags/agenda-2030

Programa das Nações Unidas para Meio Ambiente | ONU News https://news.un.org/pt/tags/programa-das-nacoes-unidas-para-meio-ambiente

Declaração Eco 92 sobre o Ambiente e Desenvolvimento | Nações Unidas https://apambiente.pt/_zdata/Politicas/DesenvolvimentoSustentavel/1992_Declaracao_Rio.pdf

Declaração de Joanesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável | Nações Unidas

https://apambiente.pt/_zdata/Politicas/DesenvolvimentoSustentavel/2002_Declaracao_Joanesburgo.pdf

ODM | Nações Unidas https://www.un.org/millenniumgoals/

ODS | Plataforma de Conhecimento https://sustainabledevelopment.un.org/

Our common future| Brundtland Report https://sustainabledevelopment.un.org/content/documents/5987our-common-future.pdf

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